O cristão pode julgar? Conexão Ministério de Jovens em Piedade

O cristão pode julgar? Deve julgar ou, em hipótese alguma pode fazer julgamento de um irmão ou de qualquer pessoa? Quais as implicações do julgamento sem observar principios bíblicos?

O Ministério de Jovens da Igreja Adventista da Promessa em Piedade se reuniu neste ultimo sábado no terraço da igreja no Conexão, e trabalhou o tema “julgar”. O mediador deste encontro foi o Jorge Ferrari que conduziu muito bem o tema, incentivando o grupo a interagir com os convidados, o pastor Vitor Elias, que é teólogo, capelão e, professor do Colégio Adventista de Jacarepaguá,  e a psicóloga Carla Vaz.

Tivemos a participação do Ministério de Música da IAP de Coelho Neto que abrilhantou a reunião dos jovens em Piedade.

Imagens do Conexão Ministério de Jovens da IAP Piedade aqui no Facebook

Sobre o tema “julgar” algumas considerações teológicas:

O versículo bíblico de Mateus 7:1, que diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados”, condena o julgamento? O cristão não pode julgar? Será que a Bíblia proíbe o cristão de julgar em todos os casos? A Bíblia diz que o cristão não pode julgar?

Analisando o texto de Mateus 7.1

Uma das regras de interpretação bíblica diz que devemos ler o contexto para interpretarmos o texto corretamente. O contexto de Mateus 7:1, mostra um tipo de julgamento firmado na hipocrisia. O julgamento de quem aponta o defeito no outro, mas tem o mesmo defeito e até pior: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” (Mateus 7:3)

Aliás, este versículo foi muito mencionado no Conexão, ênfase nos comentários da psicóloga Carla Vaz.

Esse tipo de julgamento é condenado por Jesus. É desse tipo de julgamento que Jesus se refere no texto em questão. É o julgamento, por exemplo, dos fariseus que julgavam certas práticas do povo, ou de alguns grupos de indivíduos, mas também as praticavam.

O texto de Mateus 7:1 não proíbe todo tipo de julgamento, somente o julgamento hipócrita.

Note que Jesus, nesse mesmo texto, manda a pessoa julgar, porém, manda que ela resolva primeiro a sua situação para, só depois, ter autoridade para olhar para a situação do outro: “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Mateus 7.5). Como tirar o argueiro do olho do irmão sem julgar se aquilo que ele tem no olho é realmente um argueiro que precisa ser retirado?

A Bíblia mostra diversos exemplos de servos de Deus julgando, inclusive Jesus.

Em Mateus 12:34

Jesus julgou os maus atos dos fariseus. Chamar os fariseus de “raça de víboras e maus” é julgar: “Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.”

Em 1Corintios 6:5

Paulo manda a igreja julgar suas próprias causas e critica (julga) a igreja de Corinto por levar causas a tribunais ao invés de julgarem ali mesmo na comunidade e resolverem a situação. Ou seja, pode e deve julgar: “Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade?”

Na terceira carta do apóstolo João (3 João 1: 9-10 – NTLH)

Aqui João julga diversas atitude de um tal Diótrefes e promete chamar a atenção dele. Chama-o de caluniador e de mentiroso: “Eu escrevi uma pequena carta à igreja, mas Diótrefes, que deseja ser o líder, não quer dar atenção ao que eu disse. Portanto, quando eu chegar aí, vou chamar a atenção dele a respeito de tudo o que ele tem feito: as coisas horríveis que diz de nós e as mentiras que conta…”

Não há como cumprir certas partes da Bíblia sem julgar

Como iremos, sem julgar, reprovar as obras das trevas como nos manda Efésios 5:11? “Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz.”

Como iremos, sem julgar, descobrir o disfarce dos falsos mestres como nos manda Jesus em Mateus 7.:15? “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.”


Como saberemos, sem julgar, rejeitar o falso evangelho pregado, como Paulo nos orienta em Gálatas 1:8? “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!”


Como iremos rejeitar o sinal da besta descrito em Apocalipse 13:18 sem julgar aqueles que tentarão nos impor o seu uso?

Como identificar as heresias destruidoras mencionadas em 2 Pedro 2:1 sem julgar os ensinos dos que a pregarão?

Como, sem julgar, saberemos entrar pela porta estreita, rejeitando o caminho largo como nos manda Jesus em Mt 7:13-14?…

Imagens do Conexão Ministério de Jovens da IAP Piedade aqui no Facebook

Ficou claro que devemos sim julgar. 

A Bíblia proíbe o julgamento hipócrita, mas não proíbe julgarmos outras questões importantes da nossa vida. É evidente que julgarmos com violência, desrespeito, preconceito e outras atitudes prejudiciais não é do agrado de Deus. O que está em foco aqui é o julgamento saudável, importante para o ser humano e para a sociedade.

Os que defendem que não devemos julgar deveriam primeiro avaliar o que a Bíblia diz e depois olharem para si mesmos e observarem que, como todo ser humano, julgam o tempo todo: No trânsito, ao criticar a ação errada de determinado motorista; em casa, ao chamar a atenção de um filho; no trabalho, ao não concordar com a posição do chefe ou lutando contra alguma injustiça; na igreja, ao questionar alguma doutrina com algum irmão ou líder.

Assim, julgar é inerente ao ser humano, é aprovado pela Bíblia e faz parte da vida!

Fonte:
Texto sobre o tema blog Esboçando Idéias

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