O evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que nele crê

O evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que nele crê

O apóstolo Paulo mostra o quanto o ser humano está terrivelmente perdido (1:18 – 3:20). Contudo, antes de apresentar essa situação caótica, ele mostra as suas credenciais e convicções a respeito do evangelho. Antes de tratar sobre a doença, ele apresenta o remédio. De início, o apóstolo enfatiza a sua própria condição: escravo; o seu dono: Jesus Cristo; o seu chamado: apóstolo; a sua missão: proclamar o evangelho (Rm 1:1).

O evangelho

A palavra evangelho é a tradução do termo grego evangelion, que significa boa mensagem ou boas novas. Nos tempos antigos, quando os soldados saíam para a guerra, o povo, ansiosamente, esperava por boas notícias (evangelho) do campo de batalha. [1]

Mas a boa notícia mencionada por Paulo supera qualquer outra boa nova, considerando-se sua procedência, o seu conteúdo e o seu propósito.

De onde procede o evangelho?

O evangelho mencionado em Romanos é singular. Essa ideia fica expressa nas palavras de Paulo: … separado para o evangelho de Deus (Rm 1:1). O apóstolo deixa claro que a pregação dessa boa nova é a sua missão. Ele foi separado para isso. Após o seu encontro com Cristo, no caminho de Damasco, dedicou-se a essa nobre e importante tarefa.
Por que Paulo emprega todos os seus esforços e o seu conhecimento em prol do evangelho? Porque este provém de Deus, não do homem. É fruto da mente mais poderosa que existe, não do intelecto de pensadores de nosso tempo. Por ser de procedência divina, o evangelho é revestido de autoridade.

O apóstolo, portanto, sabe que a missão de pregar o evangelho, para a qual foi separado, é sublime e está acima de qualquer interesse pessoal. Se o evangelho é poder de Deus, não pode ser mudado pelos homens. Paulo era apenas o seu mensageiro, não o seu autor. Portanto, qualquer ato que se destina a adulterar o evangelho divino é pecaminoso e abominável.

Segundo Paulo, o evangelho foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras (Rm 1:2). Aqui está o seu fundamento: as Escrituras. Um evangelho cuja base esteja aquém ou além das sagradas letras é “outro” evangelho, não o poder de Deus que é mencionado em Romanos.

Qual o conteúdo do evangelho?

É certo dizer que Paulo é um exímio defensor do evangelho. Ele fazia isso em liberdade ou em prisão, em paz ou mesmo em perseguição. Por causa do evangelho, Paulo enfrentava lutas que estavam além de suas forças e ainda enfrentaria prisões e o próprio martírio. Porém, disse: “Eu não me envergonho do evangelho”. [2]

Apesar de seus esforços, não é a pessoa de Paulo o conteúdo do evangelho. Ele mesmo afirma isso, ao dizer que o evangelho é a boa-nova a respeito de seu Filho [de Deus], que tomou a forma humana, tendo nascido da linhagem de Davi (Rm 1:3 –NBV). Segundo o Antigo Testamento,o Messias nasceria da descendência de Davi. [3]

O apóstolo, portanto, faz a defesa de Jesus como Messias e diz que sua ressurreição lhe designa o título de Filho de Deus (v.4). É um erro pensar que o conteúdo do evangelho se limita a uma personalidade que não seja Cristo; é tristen constatar que, em muitas pregações, os feitos dos homens são enfatizados e os de Cristo, pouco ou nunca.
Mas ele é o assunto do evangelho, do começo ao fim da história da humanidade. Jesus é a única maneira de o homem se recuperar do erro cometido no jardim do Éden. [4]

Ele é a única saída para a humanidade. Por isso, Jesus foi o centro da pregação de Paulo: …decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado (1 Co 2:2). O evangelho de Deus diz respeito ao Filho de Deus; é um anúncio de Cristo. Diz respeito à vida e à obra de Jesus: ele veio, nasceu, viveu, morreu, ressuscitou e voltará.

Essa é a mensagem que forma o seu conteúdo. Não deixemos, portanto, de focar nossas pregações, nossos louvores e nossos testemunhos na pessoa de Jesus Cristo. Sem ele, não existe o evangelho.

O propósito do evangelho

No primeiro capítulo da carta, Paulo expressa sua necessidade de pregar o evangelho em todo o mundo. Disse ele: … sou devedor tanto a gregos como a bárbaros (Rm 1:14). O apóstolo entende que o evangelho não deve ser retido, mas repartido. Em seguida, declara-se pronto à proclamação: … estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma (v.15). Paulo demorou ir a Roma, não por falta de desejo, mas por impedimentos circunstanciais. [5]

Todavia, não havia perdido a esperança de realizar seu desejo para com aquela comunidade espiritual: … em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos (v.10). O apóstolo também trata da razão da sua preocupação com a pregação das boas novas: … pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego (Rm 1:16).

O evangelho deve ser anunciado por causa da grandeza de seu propósito: salvar o pecador.

A boa notícia não tem o propósito de angariar riquezas, posses ou poder. Não é a sua finalidade promover uma personalidade à fama. O evangelho tem como objetivo conduzir os pecadores à salvação na pessoa de Jesus Cristo. Não há salvação fora do evangelho. Este é a mensagem do amor de Deus, da graça salvadora e do perdão infinito. É Deus amando o pecador; é o justo perdoando o culpado. [6]

Mediante a condição deplorável da raça humana, provocada por sua queda, no Éden, a única maneira de homens e mulheres serem salvos é a fé em Jesus Cristo, conforme proclamado no evangelho. [7]

A fé, porém, vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10:17). O poder salvífico do evangelho não se restringe a uma nação, uma língua, uma tribo ou uma etnia, mas alcança todo aquele que crê.

Preserve o evangelho pois sua procedência é singular.

Paulo deixa claro que o evangelho é proveniente de Deus. Não é à toa que ele faz questão de mencionar isso por duas vezes, no capítulo 1 de Romanos. Reporta-se ao evangelho como o evangelho de Deus (Rm 1:1) e o poder de Deus (v.16). É por meio dele que o Criador se revela as suas criaturas. Paulo se considera portador, não idealizador, da boa nova.

Considerando, portanto, a singular procedência do evangelho, tomemos todo o cuidado para não o alterar. O evangelho expressa a vontade de Deus; por isso, precisa ter seus princípios preservados. Há os que maculam ou adulteram a palavra; usurpam a palavra trazendo a morte sobre si próprios. Portanto, faça diferente: seja fiel em defender o verdadeiro evangelho; submeta-se às suas instruções.

Proclame o evangelho pois seu propósito é bom.

O evangelho não tem como propósito exaltar uma personalidade ou conceder prosperidade e enriquecimento às pessoas. O seu objetivo não se rebaixa a isso, pois é poder para a salvação do que crê (Rm 1:16). É por meio dele que os pecadores podem deparar-se com o único que, de fato, pode salvá-los: Jesus.

O evangelho de Cristo, portanto, deve ser proclamado. É exatamente esta a ordem que Jesus faz questão de frisar, em Marcos 16:15: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura. Lembre que a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10:17).

Por isso, pregue a tempo e fora de tempo (2 Tm 4:2). Que sua atitude não se limite a preservar a palavra em seu coração, mas proclame-a aos povos.

Concluindo

Vimos, neste estudo, que o evangelho procede de Deus; enfatiza a pessoa de Jesus e objetiva a salvação do ser humano. Vimos, ainda, que o evangelho não deve ser alterado pelo homem, pois procede de Deus, e que deve ser proclamado, pois visa à salvação dos pecadores. Por isso, precisamos conhecê-lo.

Notas

1. SPROUL, R.C. Estudos bíblicos expositivos em Romanos. Tradução: Heloísa Cavallari, Marcio Santana. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. (2011:23)
2. LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo: Hagnos, 2010. (2010:59)
3. SPROUL, R.C. Estudos bíblicos expositivos em Romanos. Tradução: Heloísa Cavallari, Marcio Santana. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. (2011:16)
4. AMORIM, Marcos Severo de. Igreja cristã evangelizadora. Santa Bárbara d’Oeste: SOCEP, 2004. (2004:127)
5. LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo: Hagnos, 2010. (2010:56)
6. LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo: Hagnos, 2010. (2010:65)
7. WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: vol. 1. Tradução: Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006. (2006:672)

Departamento de Educação Cristã

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